Plenificar o ser humano e ressignificar a nossa missão – 20/02/2019

0
145

Caros irmãos e irmãs, devotos de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro,

Estamos acompanhando e meditando a liturgia da Palavra de Deus destas duas últimas semanas que antecedem o Tempo da Quaresma. Temos ouvido, ao longo da grande jornada semanal, trechos do Evangelho de Marcos. Marcos, o segundo dos sagrados livros é, sem dúvida, muito atraente, comovente, instigante, fascinante. Provoca-nos. Interpela-nos. Questiona-nos. Aponta-nos para os apelos de Jesus, molda e estrutura os contornos do coração, reconfigura a missão e faz reencontrar o cerne da fé. Aprofunda nossa vocação e fecunda o seguimento de Jesus.

Trata-se de uma leitura iluminadora para nossas comunidades, isto é, com ações que colaboram para que o Reino vá se antecipando entre nós. São páginas ricas que relatam o amor de Jesus, em relações de construção que nos humanizam. Página após página, no tecido do texto de Marcos, se abre uma reflexão como instrumento para despertar nossa consciência muitas vezes adormecida perante os dramas sociais aqui em Curitiba, e de entrar no coração de Cristo, onde os pobres são os privilegiados da misericórdia divina do Pai. Essa chave de leitura nos coloca na compreensão do texto deste dia (Marcos 8, 22-26).

A meditação do Evangelho desta quarta-feira nos apresenta a cura do cego. No seguimento do Senhor, estamos com Jesus a caminho. Com Ele e seus discípulos chegamos a Betsaida. “Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida” (Mc 8,22). Contemplamos algumas pessoas trazendo um cego. Elas pedem que o toque.

Ao tocá-lo, dentro de um ritual de profunda catequese, o Senhor o cura. A cura realiza-se em dois tempos: primeiro o cego vê confusamente: “Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam” (Mc 8,23). Em seguida, quando a cura está completa, ele vê claramente: “Ficou curado e enxergava todas as coisas com nitidez” (Mc 8, 25). A cura do cego não se dá com atitudes triunfalistas, gigantescas, eufóricas. Acontece no terreno da simplicidade, no encontro com a pessoa humana, a partir de gestos humildes: “Jesus pegou o cego pela mão, levou-o para fora do povoado, cuspiu nos olhos dele, colocou as mãos sobre ele” (Mc 8,23). Por isso, ao despedir o cego curado, o Senhor recomenda-lhe “ir para casa e lhe disse: “Não entres no povoado!” (Mc 8,25), a fim de que o milagre na virasse um show da fé, um espetáculo de cobertura de televisão. Assim, Jesus deixa claro que o milagre seja sempre discreto e em razão da missão. Ou seja, aquele que foi anunciado, depois de curado, torna-se anunciador do Reino de Deus em sinais de fraternidade.

A cura do cego descreve ainda o amor que Deus tem pelo ser humano, criado à sua imagem e semelhança. Sublinha que Deus não apenas vê o sofrimento, mas o enxerga na pessoa humana em sua dor, em sua angústia, em sua exclusão social. Revela a forma como Deus sai em defesa da vida, plenifica o ser humano e ressignifica o nosso olhar para enxergar a essência da essência da pessoa. Que a ternura com a qual a Mãe do Senhor, venerada entre nós como Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, embalou o Filho de Deus, agasalhe também o nosso coração.

Missionário Redentorista Padre Francisco Santos Lima

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, indique o seu nome aqui