Rejeição paterna e suas consequências

0
55

Vamos ser sinceros e refletir: Quem nunca ouviu esta frase: É tudo culpa da mãe!”

Mesmo nos dias atuais, onde muitos casais compartilham entre si a educação dos filhos, é comum acreditarmos que a presença constante da figura materna e toda a responsabilidade da construção da personalidade seja papel exclusivo da mãe. O pai em muitos casos se posiciona apenas como coadjuvante nesta relação. Fica a margem desta relação. Porém, uma repai-carinhosocente pesquisa feita pela Universidade Americana de Connecticut (USA) jogou um feixe de luz surpreendente sobre esta questão. Estudos mostraram o poder da rejeição paterna e como ele deixa marcas profundas na personalidade da criança que iram acompanhá-las para toda a vida.

Segundo este estudo, ser amado ou rejeitado pelos pais afeta a personalidade e o desenvolvimento das crianças até a fase adulta. As crianças rejeitadas sentem esta emo
ção como se tivessem sido socadas no estômago constantemente. Isto de acordo com pesquisas nos campos da psicologia e neurociência, que revelam que as mesmas partes do cérebro que são ativadas quando as pessoas se sentem rejeitadas são as mesmas ativadas quando sentimos dor física.

Os pesquisadores afirmam que as crianças rejeitadas sentem mais ansiedade e insegurança, bem como, são mais propensas a desenvolverem comportamentos hostis e agressivos. Em relação a capacidade de desenvolverem vínculos elas sentem mais dificuldades em formar relações seguras e de confiança com outras pessoas, pois têm medo de vivenciar a situação de rejeição novamente.

Mas, o que mais surpreende e inova neste estudo é que ele sugere que a figura paterna na infância pode ser mais importante para a criança do que a materna! Isso porque as crianças geralmente sentem mais a rejeição se ela vier do pai. Para os pesquisadores, uma explicação pertinente é que o papel masculino ainda é supervalorizado socialmente e pode vir acompanhado de mais prestígio e poder. Por causa disso, pode ser que uma rejeição por parte do pai tenha um impacto maior na vida da criança.

Estudos psicanalíticos colocam que a relação com o pai nos possibilitará vivenciarmos com ele a construção da consciência e com ela poderemos ingressar no mundo exterior, será ele que nos ajudará a ultrapassar as fronteiras do núcleo familiar.

A mãe é ternura, aquela que nos deu a vida e assim desenvolveu a nossa vontade de viver.

E quem não se lembra da sensação de segurança que o abraço do PAI nos proporcionou?

Bem, será ele que nos convidara a ingressar no mundo e a vivenciá-lo na sua plenitude. Aprenderemos com ele a caminhar e experimentar o mundo.

Ficará internalizado em nossa estrutura emocional, às vezes de modo consciente ou inconsciente, que a forma como este pai me olhou, me amou, me elogiou e também me rejeitou, será estes mesmos os aspectos a serem reconhecidos, acolhido e buscados por mim no mundo.

O mais importante neste estudo é a confirmação que um pai ausente, distante, ensimesmado tem grandes chances de criar filhos inseguros e extremamente frágeis para se lançar na grande aventura humana que é caminhar e fluir na vida com segurança.

Uma passagem do Velho Testamento exemplifica a importância de sentirmos que somos realmente importantes e significativos para nossos pais. Caim disputou com Abel o olhar do pai. Realmente precisamos nos sentir reconhecidos, olhados e amados pelos nossos pais.

Possivelmente muitos pais ainda mantêm o pensamento que sendo bons provedores materiais já é o suficiente na educação dos seus filhos. Grande engano.

E você Pai, como está se relacionando e construindo a identidade emocional dos seus filhos?

ELIANI FÁTIMA FABIAN

CRP 08/04381

PSICÓLOGA CLÍNICA, VOLUNTÁRIA DO CRAS

eliani.fabian@gmail.com

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, escreva seu comentário!
Por favor, indique o seu nome aqui